sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

O décimo andar

O que fazer quando nada mais faz sentido? 
Como encontrar respostas para perguntas que sequer foram formuladas? 
Como encontrar paz no inferno? 
Meu estômago embrulha, minha cabeça dói. 
Sinto vontade de dar um fim à tudo. 
Uma das últimas coisas que ele me disse permanece ecoando nos meus pensamentos:"Você é fraca!"
Nunca alguém me disse uma verdade tão absoluta na vida. 
Que ser mais asqueroso. 
Por que permanecer aqui? O que te prende à esse mundo que não liga para seus pedidos de socorro?
Outrora escutei a seguinte frase da boca de um velho: "Os olhos são a porta para a alma.”… quantas vezes já olharam para a minha alma e não notaram quão destruída ela estava? 
O que mais eu posso fazer para mudar algo? 
Me encontro perdida… Não sei por onde começar. Não sei como dar um fim. Nada está certo. 
Novamente eu peço… e novamente não serei escutada. 
Ninguém está aqui para me acarinhar e dizer que tudo ficará bem. 
Ninguém está aqui. 
Nem eu. 
Não mais. 
Sabe-se lá em que mundo eu me perdi. Sabe-se lá em que esquina eu deixei o que restava de mim, ir embora. 
Eu já não sinto nada. 
Eu sinto tudo. 
Eu sinto mais do que deveria. 
Eu não sinto quando deveria. 
É tudo tão confuso. É tudo tão dolorido. 
Sinto vontade de arrancar de mim o que ainda bate aqui dentro. Está fraco. Está aos pedaços. 
E ninguém nunca irá conseguir juntar os cacos, porque não há maneira de fazê-lo. 
Já passou do tempo. O relógio não para… tic tac… cada barulho é um minuto à menos e uma gota a mais. 
Não há nada que amenize. Remédios são utilizados em vão. 
A dor permanece incrustada na alma. 
Então… o que poderia dar fim à isso? 
Olho ao longe… vejo o mar, vejo pessoas. Ouço risadas, ouço música. 
Nada disso me faz ter vontade de continuar aqui. Nada disso me faz ver um futuro. 
Nada. 
Ninguém. 
Nesse momento a janela me parece tão convidativa. 
O 10º andar me parece tão agradável. 
A queda é longa, mas o que virá após dela, é a libertação. 
Enfim, tudo se foi. 
Meus olhos se fecham e tudo torna-se negro e calmo. 
Não me encontro mais aqui. 
Não me encontro em nenhum lugar mais. 
Nunca mais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário